Fichamento Lições de Arquitetura, Domínio Público

Fichamento

Lições de Arquitetura, Domínio Público


       Lições de Arquitetura é um livro clássico da área, escrito em 1996 por Herman Hertzberger, famoso Arquiteto Holandês.
      O livro é subdividido em 3 principais partes, sendo elas "Domínio Público", "Criando espaços, Deixando espaços" e "Forma convidativa", sendo esse fichamento focado na primeira parte.
      Inicialmente, Hertzberger disserta sobre a classificação de lugares entre público e privado, criticando tal polaridade e ressaltando o quão essa é inadequada. Segundo ele, teoricamente, um espaço público é aquele frequentado por um grande grupo de pessoas, com sua manutenção sendo de responsabilidade coletiva, enquanto um espaço privado é frequentado por um grupo restrito de pessoas cujo o qual a responsabilidade de sua conservação é também designada à esse grupo de pessoas. Tal divisão pode ser feita de maneira autoritária, sendo baseada na legislação e vigia de pessoas responsabilizadas, no entanto, majoritariamente, esta divisão é respeitada pela população naturalmente, sendo configurada como uma convenção. Entretanto, tal polarização na divisão de ambientes entre público e privado é considerada situacional, pessoal e cultural para o autor, sendo esses conceitos considerados imprecisos e insuficientes. Exemplificando, uma sala de estar da casa de uma família é considerado um ambiente público para os moradores, mas privado para os desconhecidos que passam na rua. A varando de uma casa é uma transição entre o público e privado, podendo ser frequentado por certo vizinhos, e fechada à outros transeuntes. Ressalta-se a efemeridade da classificação entre o público e o privado de um determinado ambiente.
      Ademais, tal sensação entre e público e privado deve ser pensada desde a planta inicial da construção. Uma porta de vidro, por exemplo, cria uma sensação de público, enquanto uma porta opaca distancia essa sensação. Esse, também, deve ser levado em conta para inferir o quanto uma pessoa pode interferir em um espaço, baseando no quanto o ambiente dá de abertura para sua personalização, sendo essa muitas vezes incentivada pelo autor, visando criar laços afetivos e de responsabilidade da pessoa com o espaço.
      O autor também destaca a função dos intervalos de ambiente. Tais intervalos são uma maneira de transicionar mais sutilmente, um espaço privado de um público, criando maior possibilidade de interação entre esses dois. Um alpendre é um bom exemplo dessa transição, pois este ainda faz parte da casa de uma pessoa, mas pode ser utilizado como ambiente para a interação dessas com outras pessoas as quais normalmente considerariam tal casa como um espaço privado para elas. 
      A ideia de que a configuração de um ambiente impacta em como as pessoas irão tratá-lo quanto sua classificação de público e privado pode se comparar a algumas ideias de Flusser, em seu texto: "Design: Obstáculos para a remoção de obstáculos?". A ideia de configurar o ambiente para que as pessoas interajam mais com ele e sintam maior responsabilidade com tal, pode convergir com o conceito de polifuncionalidade de Flusser, considerando que, quanto mais "polifunciona" um ambiente é, mais facilmente as pessoas se adaptarão à ele, muitas vezes independendo da diversidade cultural e pessoal. 

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